domingo, 8 de novembro de 2009

Diário Malawiano - O livro «O Meu Mundo Neste Mundo.»

11 AGOSTO 2008
Segunda-feira – 10:30 H
Acordei eram 6:30 H, o sol já raiava, mas decidi dormir mais um pouco. Acordei eram 7:30 e fui ter com o Jonhy a cozinha…Trata-me por madame, ahahhahahha! Tão querido e chique:):)
Traz-me o pequeno-almoço, frutinha, café fresco, pão com manteiga, sumo, compotas….Eu agradeço– lhe, cada vez que lhe digo obrigada, ele também me diz a mim, ou seja dizemos obrigada mútuo. Ele é que me traz as coisas e diz obrigado, nem pensar…Vamos esgotar a palavra.
O Mano vai trabalhar com o telefone sempre a tocar e eu que estou colada ao livro do Beto vou termina-lo:)
O MEU MUNDO NESTE MUNDO DE JOSÉ ALBERTO CHÉU...
















Este livro foi o presente de casamento do Beto e da Taninha...Achei a ideia espectacular!Um livro que conta a viagem do Beto á volta do mundo...
Decidi trazer o «MEU MUNDO NESTE MUNDO» para ler aqui em África. Durante a viagem vim a ler o romance de José Rodrigues dos Santos – O sétimo selo.» Estava parada em JNB e não me apetecia ler, abro a mala para ver se tenho SMS e vejo lá o teu livro que sorriu para mim! E pensei é mesmo isto que vou ler. Li o prefácio e apeteceu-me cantar aquela música: «Tudo pode a força da união, pode mais que a força de um canhão, ela é singular, é motor que faz gerar, a justiça, paz e a paixão. Laralaralara.»
Mal li o prefácio tive a sensação que não estava sozinha, quase que senti a Taninha a ler para mim. Comecei a ler a tua aventura, e acreditas que num aeroporto com tantas centenas de pessoas sorria e não sentia ninguém. Estava tão orgulhosa ao segurar este livro, estava completamente absorvida. Quando levantei os olhos estava um inglês a minha frente que não tirava os olhos. Eu exibi a capa do livro e só me apetecia dizer – lhe: «Podes olhar, é o livro do meu Amigo. Sim, sim este que está na capa é o MEU AMIGO BETO
Ao ler identifiquei- me com tantas coisas que dizias e que ando a sentir agora. Inacreditável! Isto é o que diz na altura certa a hora certa (como tantas vezes aconteceu nesta viagem).
Comecei a ler o teu livro ontem (domingo) no aeroporto de JNB e terminei hoje (segunda) em Malawi as 12.20 .

Beto a palavra AMOR é para ser dita quando sentimos mesmo…EU AMEI ESTE LIVRO. Amei mesmo, estou aqui com o meu coração a bater. Não sei se foi por estar a fazer esta viagem, não sei explicar muito bem, mas bateu aqui dentro de uma maneira tão especial que eu nem sei se consigo descrever aquilo que sinto.
Uma coisa posso dizer agora, não me sentirei sozinha nesta viagem. Sempre que tiver o coração apertado, tenho o teu livro e acredita que vou lê-lo vezes sem conta. Tens noção de quanto é especial este livro? Tens noção da felicidade que dás as pessoas com este livro?
Dei boas gargalhadas e pensei fogo eu penso exactamente como o Beto pensa, ou estou a sentir o que ele está a sentir. Parecia que em algum momento estavas a ler o meu pensamento.
Existem partes do livro que vou transcrever porque é aquilo que realmente sinto.

«Colocaram-nos no corredor central de 4 lugares do avião (ladeados por duas fileiras de dois lugares cada). Sentados ao nosso lado estava um jovem casal que me suscitou alguma curiosidade.»Como me ri quando li isto, porque tenho essa sensação tantas vezes. Em JNB estava a olhar para aquelas pessoas todas e suscitou-me curiosidade um inglês que estava sempre a olhar e pensei…Quem será? O que deve fazer? Tem um capacete, dever ser engenheiro? Porque olhará? Depois olhei para um indiano que me olhou de lado e pensei, ele deve estar a pensar, já punhas um lenço para tapar os ombros.
E depois um argelino que sorriu, tinha uma cara simpática...
Pelo menos pensei, o Beto também sentiu curiosidade, não sou a única…

Gostei muito da frase:
«Encontrámos pessoas de todo o lado do mundo a fazerem a volta ao mundo (RTW – Round The World)! Posso ser o único do meu círculo de amigos, colegas e conhecidos, mas em todo o mundo sou apenas mais um…»Um grande verdade, não só em relação a viagem, mas em relação a tantas outras coisas. Aqui mostras a tua humildade e a tua sensatez que eu tanto admiro. Em tantas coisas somos apenas mais uns...

«Há gente que tem vidas muito diferentes da minha, dos meus e dos que me rodeiam. Passeiam-se pelo mundo vão ganhando uns cobres (principalmente em países mais ricos) para viver durante mais uns meses e voltam a viajar (e a gastar em países mais pobres). Vão para ilhas como esta, em que há qualidade de vida, bom tempo, boa comida, tudo é barato e pronto, aí sobrevivem durante mais uns tempos….estes sim, são uns cidadãos do mundo»E são, somos tão pequeninos.Com este livro deparei– me como de facto não conheço nada, sou um grão de areia numa praia. Existem pessoas que sabem tanto, que vivem tanto. Admiro os back packers…Sou mesmo um grão!

E continuo a devorar este livro e leio três vezes a página 28 e 29.Fiquei emocionada e sinto-me assim, se calhar é por isso que estas palavras me dizem tanto.
«Os últimos tempos, pelo que (vi)vi, aprendi muito. Acredito que sei distinguir melhor o que está bem e o que está mal. Quanto mais (vi)ves menos vergonha temos, menos escrúpulos temos e mais egoísta nos tornámos. A vida torna-nos num monstro e se há momentos que gostaria de dizer que “desta água não beberei”, cuidado que a vida nos atraiçoa…Se por um lado, este ano não me posso queixar, estive nos lugares certos, às horas certas e tomei as decisões que considerei certas. Por outro lado faltou a química, o gostar e o amor. Cada um por si já significa qualquer coisa, mas só os três sentimentos em conjunto é que fazem sentido para se poder, a partir, dai construir o futuro. Os alicerces. Definitivamente, pergunto, quando começarei aconstruí-los? Mas apesar de tudo, o saldo do ano que passou foi quase perfeito.Profissionalmente (na Deloitte), isto é, desde Maio a Junho foi quase perfeito. Quase, porque o falecimento do meu avô foi o momento mais triste e que lamento profundamente. Apesar da sua timidez e das poucas conversas que tínhamos quando chegava a casa fazíamos um rescaldo das aulas, do trabalho, do dia, da semana, das férias, aproximava-me dele, sentado na cadeira da cozinha sempre lúcido, sem nunca se queixar! Se era por resignação ou para não incomodar, nunca saberei, mas são boas as recordações que guardo. Que Deus o tenha! Falando do lado positivo, pessoal e profissionalmente, consegui ir para um projecto internacional. E que grande experiência na “movida” em Madrid. Além das vantagens de estar deslocado, viver em Madrid, fazer escapadinhas aos fins-de-semana para a Europa, estando ao mesmo tempo perto de casa (1 hora de avião). Foram momentos espectaculares! No final do ano fui promovido…. Agora estou a realizar uma volta ao mundo…. Que mais quero? Alicerçar?... Ok, então fico à espera .»Claro que este texto é minha cara e emociona-me.Espero que a vida não me torne egoísta,nem monstro...e desta água não beberei,aprendi na pele a não dizer esta frase ,nem a dizer NUNCA.Já disse e passados uns tempos...pimbas.Somos humanos ,sentimos, e erramos.Temos vontades inexplicáveis,e muitas vezes podemos achar errado,mas.....
Sentimentos...O meu sorriso ,o meu desejo é sem duvida alicerçar...Sou completamente sentimental,sou uma apaixonada pelos meus Amigos,pela Vida...E acredito que um dia a palavra Alicerçar vai acontecer:)

«Engraçado, mais de 15.000 km de distância de casa, no mais humilde país e na mais modesta família existem valores iguais. Não é preciso percorrer meio mundo para os validar, nem para sentir a importância da família e dos amigos. Não é preciso percorrer meio mundo para confirmar o sentimento de pertença. Mas, depois de percorrer meia Europa e depois de percorrer meio mundo garantimos que, esses são verdadeiramente os nossos valores. E que vão estar connosco até ao fim.»
Em Lavra,na Austráli,em África,em qualquer lado o sentimento da Família e da Amizade é que nos faz viver feliz:):)
Sem dúvida que fiquei fã deste livro e agora ouço Madameeee, é o Johny...Vamos preparar um banquete para o Mano que vem almoçar.Beto e Taninha obrigada pela companhia que me fizeram durante a viagem...Sou vossa fã e quase que tive vontade de fazer uma tatuagem,ahahhha:)

11 comentários:

Anónimo disse...

Susaninha até tive vontade de ler o livro do teu Amigo.Está a venda?
Beijinhos

Marjane disse...

Esse despertr parece saído de um filme!
Deve ser lindo, o amanhecer em áfrica. ;)

E que belo presente SuSu!

É tão bom encontrarmos pessoas com formas de pensar semelhantes à nossa. :)

Eu sou uma backpacker assumida e orgulhosa! Para o ano faço um Inter-Rail na Europa de Leste.

Iúri "Zúluri Regueiro" disse...

ja nem queres saber do meu blog para nada

Girl in the Clouds disse...

Susaninha, obrigada pela tua simpática visita!Uma aventura em África, certamente uma experiência muito interessante!!

Nuno Medon disse...

Olá! Sem dúvida que dás prazer a quem lê isto. Era giro se transformasses os teus relatos, da viagem, num livro. Não sou jornalista nem nada, mas este relato da tua viagem, daria um bom livro. Capacidades tens, de o escrever, mas é preciso quereres.... dá gosto ler o que escreves. e onde seria a tatuagem ? beijos Susaninha e cont. de um bom Domingo.

Shakti disse...

Sem dúvida um belo retrato !

Bj e obrigada pela visita !

Raquel disse...

Susu, não sabia que o beto tinha escrito esse livro! Que giro fiquei com vontade de o ler tambem!
Já descobri que ele escreveu um blog!

E claro, estou a adorar acompanhar a tua viagem!

Beijuuuuuuuu

Libelinha disse...

Fiquei com vontade de ler o livro do teu amigo!... Fiquei com vontade de escrever um "Diário de Bordo" na próxima viagem que fizer!...
Fiquei presa nas tuas palavras... Continua!

Beijinhos ;P

Olhos Dourados disse...

=)

мα∂αℓєηα disse...

Escreves bem Susaninha :)

Passaste um bom tempo nessa tua visita ao "mano"

Beijinhos :))

Jose Alberto Cheu disse...

Querida Susaninha, obrigado pelo tributo e dedicatória! Já vi que o próximo livro a editar será teu.

Beijocas grandes,
Beto


P.S. Para os interessados vou entregar uma série de livros à susaninha para quem quiser ler. Também podem ver em http://omeumundonestemundo.blogspot.com/ (contudo a actualização das fotos está bastante lenta).